Unidade CAL Laranjeiras
Espaço Yan Michalski
“Entendam que a felicidade me custou bastante, mas eu resolvi pagar o preço”.
Escrita pelo dramaturgo napolitano, Eduardo de Filippo (1900-1984), a peça “Sábado, Domingo e Segunda” (1959) apresenta uma família tipicamente italiana às voltas com os preparativos de um almoço dominical ameaçado por tensões e mágoas que vêm sendo abafadas ao longo dos últimos meses. Os membros desta tragicômica família se encontram à beira de um colapso nervoso, prestes a explodir em plena degustação de um ragu preparado com muito esmero pela matriarca Rosa Priore.
Seu marido, Peppino Priore, alimenta há meses um ciúme doentio da mãe de seus três filhos; enquanto ela se sente explorada e desvalorizada por todos os membros de sua família. O único alento parece ser o cuidado e atenções com que lhe tratam seus vizinhos, o casal Ianniello.
Numa sucessão quase melodramática de rancores e descargas emocionais, o almoço catastrófico de domingo, preparado em meio às intempéries do sábado, precisará ser debatido e destrinchado na manhã de segunda-feira para que os afetos se renovem e o amor, oculto sob muitas camadas de rancores e angústias, venha finalmente resgatar a família Priore da lama na qual está imersa.
. . .
Palavras do diretor.
"Há quarenta anos, assisti no Teatro dos Quatro uma encenação primorosa da peça “Sábado, Domingo e Segunda”, sob direção de José Wilker. Um elenco de ótimos e renomados atores, como Ary Fontoura, Yara Amaral, Paulo Gracindo, Paulo Goulart, Renata Fronzi, Cristina Pereira, entre muitos outros, dava vida às personagens inesquecíveis desta peça que ficou para sempre gravada no meu coração e na minha memória. Mesmo tendo assistido o espetáculo há tantos anos, ainda me provoca fortes emoções a impressão deixada por ações, olhares, odores e detalhes daquela trupe. Aquele texto realista, numa encenação onde a comida era de verdade, o fogão era aceso, e a água saía da torneira, impactou e divertiu o jovem de dezoito anos que estava despertando sua paixão pelo teatro. Foi um dos momentos mais saudosos das minhas primeiras idas ao teatro.
Agora, quarenta anos depois, trouxe à Turma TEC-B essa ousada e difícil proposta de experimentar o caloroso e conturbado convívio da família Priore e seus agregados. Uma sucessão de personagens muito bem desenhados pelo autor, cada um com seus dilemas e questões, que se embaraçam, esbarram e acentuam o conflito principal: como em todos os lares corremos o risco de perder conexão com as pessoas que mais amamos, como perdemos energia e tempo falando de assuntos desimportantes em vez de abrir nosso coração, de como temos a desagradável sensação de nos ter sacrificado à toa, pois nada mais ali parece justificar nossos esforços, de como subitamente podemos nos sentir estranhos em nosso próprio lar e ter apenas a irreprimível vontade de fugir para escapar da chatice e do vazio. Como lidar com a sensação de não mais reconhecer naquilo que fazemos e naqueles que amamos o motivo de nossas vidas? Como escapar à vala comum da mesmice e da repetição de tudo aquilo que condenamos e desprezamos nos vizinhos?
É uma peça do coração. Também do estômago. E não deixa de ser uma peça sobre educação, sobre nossa dedicação integral àquilo que amamos, sobre paixão. E, é claro, é uma peça sobre o perigo de nos afastarmos da verdade, do diálogo e da coragem. Sendo um grande admirador do teatro cômico napolitano, é também uma declaração escancarada de amor de seu autor ao teatro, à teatralidade, às máscaras da Commedia dell’Arte. E é um elogio ao desmascaramento, à revelação daquilo que nos asfixia, à felicidade, mesmo que custosa e dificultada pelas pequenas amarguras cotidianas. De Filippo não deixa de tratar dos riscos que corremos de nos perdermos nos detalhes desimportantes, nas ambições mesquinhas, nos ciúmes vergonhosos, na pequena infâmia, nos rótulos e nas limitações impostas a nós mesmos ou aos outros, na falta de carinho, de delicadeza, de reconhecimento. Não achemos que o bem que nossos amigos e amores nos fazem é mera obrigação, ou já se tornou um hábito ao qual nem damos mais atenção. Enxerguemos nessas pequenas ações a grandeza que elas parecem não revelar. E evitemos traduzir nosso amor somente por meio de aquisição de bens ou de chantagens emocionais. Não adiemos o momento de falar, de revelar, de reconhecer o carinho, o amor e o cuidado que são mais preciosos que as pulseiras, os colares e os broches. Como diz o título do romance escrito por Tia Memé: “Sim, mas precisa coragem”!"
Marcelo Morato
Eduardo de Filippo
Millôr Fernandes
Marcelo Morato
Marina Salomon
Monica Karl
Beatriz Bino
Adrye Battista
Ana Villa Nova
Marcus Miranda
TEC-B
João de Freitas Henriques
TEC-B
Adrye Battista
Denis Di Queiroz
Miguel Diniz
Yasminn Melo
Denis Di Queiroz
Maurício Barcellos
Yasminn Melo
Marcelo Morato
Miguel Diniz
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Juliana Amback
Maurício Barcellos
Adrye Battista
Marcelo Morato
Marcus Miranda
Rita Ariani
João Pedro Pinau
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