Unidade CAL Glória
Rua Santo Amaro 44
No palco, uma provocação filosófica: quais os limites para a democracia? Na trama, as dinâmicas de um seio familiar.
Fenômeno internacional, a aclamada peça do dramaturgo português Tiago Rodrigues foi a escolha da turma TEC-V para a sua montagem de formatura do Curso Técnico da CAL.
O que aprendemos, mantemos ou rompemos em relação à nossa identidade e a sociedade em que vivemos são temas transversais ao texto encenado aqui, onde Catarina é mais que uma única personagem.
Simbólico e impactante, este espetáculo faz pensar e abre ao diálogo, dando mais perguntas do que respostas.
Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor? Podemos violar as regras da democracia para melhor defendê-la?
. . .
Com a palavra, o diretor.
“(...) Nesta família peculiar, todos os membros, independente de seu gênero, são batizados como “Catarina” e sempre utilizam o plural no feminino. Para o resto do mundo possuem outros nomes, mas quando se encontram somente entre si, assim se tratam, pois “há coisas que só podem ser feitas entre pessoas do mesmo sangue”. Quando um membro da família completa 26 anos, chega a sua primeira vez de matar. E a Catarina da vez, ao chegar sua hora, sente-se invadida pelo vento da dúvida. E como a dúvida não apenas divide, mas multiplica, uma discussão se estabelece entre os membros da família pelo restante da peça.
O que está em questão é o conceito do “Paradoxo da Tolerância”, tal como formulado pelo filósofo austríaco Karl Popper em 1945. Qual o limite da tolerância? Até que ponto devemos ser tolerantes com os intolerantes? Qual defesa a democracia realmente possui contra discursos de ódio, totalitários, extremistas, radicais, excludentes, ultranacionalistas e - por que não dizer, fascistas?
A peça, brilhantemente dividida entre 8 atores (7 Catarinas e 1 Fascista Raptado), é um grande desafio para qualquer ator em qualquer nível que se encontre de sua experiência e formação. Seja pela dificuldade estilística, com cenas que transitam do realismo cotidiano para um onírico e poético simbolismo, seja pela passagem, muitas vezes abrupta, do humor da comédia de costumes para a visceralidade do discurso político, seja pelos monólogos de grande porte, que cada personagem possui. Cada personagem dá um enfoque diferente à mesma questão. Cada um tem sua motivação específica para a luta anti-fascista, e suas próprias justificativas para as próprias ações, num espetáculo em que não somente a direita, mas talvez fundamentalmente a esquerda é colocada em um divã. Se o questionamento ideológico intrínseco à esquerda continuamente a subdivide, quanto espaço é aberto para os extremistas que não admitem questionamento nenhum?”
Menelick de Carvalho
Tiago Rodrigues
Menelick de Carvalho
Pétrus Duque
Menelick de Carvalho
Ingrid Manzini
Caio Loureiro
Wilson Reiz
Victor Aragão
Ingrid Manzini
Paloma Della Mônica
Ingrid Manzini
Pablo Henriques
Luan Rabelo
Rita Ariani
Andreia Martinz
Rita Ariani
Maria Manfrenatti
Marcia Quarti